domingo, 19 de março de 2017

O meu pai e o Pai Nosso

O dia do Pai é todos os dias, sendo que em Portugal, é celebrado hoje, dia de São José, o pai de Jesus.
É natural que hoje nos venha à memória muitos momentos que guardamos desde pequeninos do nosso pai, uns bons, outros menos bons, uns alegres, outros tristes... cada um de nós terá as suas histórias.
foto tirada em Portinho da Arrábida, Setúbal (2017)
Mas por detrás de todos esses momentos, por mais dolorosos ou causadores de feridas tão profundas no interior de uma criança tão pura, que muitas vezes levaram mais de vinte anos a tornarem-se passíveis de ser saradas, nós sempre soubemos que existiu algo por trás de tudo isso, algo intangível. Não cresceu nem diminuiu.
Nasceu simplesmente quando viemos ao mundo, através deste pai: o amor incondicional.
E só por isso, consigo compreender o que nos ensinaram um dia "que o senhor é o meu pastor e nada me faltará".

sexta-feira, 17 de março de 2017

A alma, o corpo e tu.

imagem retirada daqui: 
http://pinup-doodles.blogspot.pt
/2010/11/new-vivienne-westwood
-fragrance-naughty.html
Quando tu consegues tomar consciência que tu não és tu - não a um nível intelectual - porque esse está muito acessível e só não o desenvolve quem não quer ou não se interessa... mas a um nível mais profundo...
Tu deixas de querer ser tu, leia-se os outros: aqueles que têm o teu sangue, aqueles que te "educaram", aqueles que de uma forma ou de outra te marcaram e guiaram o teu caminho, as tuas escolhas, conscientes ou não, os teus hábitos, os teus vícios... e que te trouxeram ao que tu és agora.

De que vale a pena caminhares na rua com os sapatos mais lindos da loja, se te apertam o dedo mindinho ou se escorregas dentro deles, quando os paralelos da rua não são assim tão paralelos, têm altos e baixos, são irregulares e imprevisíveis. E tu, o teu corpo e a tua mente estão nesse jogo, no jogo do medo de não cair no buraco da estrada que te impede de desfrutar do caminho?

Os "sapatos" que tu calças permitem-te voar?
São tão leves que a tua Alma pode calçar, sem sentir o peso da gravidade?
Tão leves que te permitem sentir a terra, a calçada de pedra, o passadiço de madeira, a areia molhada, a água do mar...?

Os sapatos são uma metáfora que escolhi para refletirmos sobre os nossos "pés", o nosso corpo, a nossa alma. Sobre a nossa estrutura, a nossa pele, a nossa sensibilidade.
Olhamos para ela(s)? Tocamos-lhes? Conseguimos senti-las? O que elas nos dizem? Ou gritam?
Ou já só conseguem gemer?
Elas estão feridas? Doem? O que elas te pedem?
Que te adaptes ao calçado ou que compres uns sapatos novos?
Ou que andes de vez em quando sem sapato algum para poderes sentir o calor das rochas aquecidas pelo sol da tarde, a doçura da terra coberta de verde num dia de Primavera, as ondinhas do mar que te massajam as pernas...?

O nosso corpo é o templo da nossa alma, digo isto muitas vezes nas minhas consultas, porque acho que às vezes esquecemos ou não queremos lembrar. Como pode viver a nossa alma num corpo doente, dolorido, inflamado?
E como pode um corpo ter energia e capacidade para se auto-curar se a sua própria alma está encolhida, tolhida pelos espartilhos que colocamos na nossa vida?

E NÃO! a solução da dor, seja ela física ou psicológica, não está no antídoto farmacológico que alivia, mas não cura. A solução está no Amor.
E o amor é cuidado como diz a música de Caetano Veloso:
"quando a gente gosta é claro que a gente cuida..."
então
"onde está você agora?"

Estas são as reflexões de um coração às vezes dorido, mas sempre cheio amor para esse coração que me lê e me sente,
Lea

domingo, 5 de março de 2017

A loucura é vital!

Tróia, Fevereiro de 2017
A loucura faz parte da vida. A vida sem loucura não existe. Torna-se algo inanimado, uma coisa sem seres vivos.
Não tem cor, não tem cheiro, não tem paladar, não se sente no toque, não tem energia, não tem alma.
Lobo Antunes disse um dia que a loucura é "sair de uma determinada norma e que para isso muita coragem é necessária..." Sim, por vezes sim, por vezes não. Digo eu.

Todos os dias ela me vem... e me pede para viver.
Para fazer, para sentir, para curar, para transmutar, para libertar... para explodir...
whatever I want, whatever I need.

Ela é a força motriz, ela vem de dentro, do mais íntimo e profundo de nós, do âmago do Ser.
Ela é a chama que precisa ser mantida para dar vida e transmutar a matéria.

A loucura a que me refiro vem também do Fogo, que faz parte dos 5 elementos da natureza - o Fogo, a Terra, o Metal, a Água e a Madeira - cada um deles essenciais à vida, porque cada um deles é alimento de todo e cada órgão do nosso corpo. É  responsável também por todas as emoções que existem - sejam elas mais agradáveis ou menos agradáveis - consoante estejamos em harmonia ou desarmonia com o que nos conecta ao nosso Ser, aos outros e ao Universo.

Para não exceder muito este rascunho... pois a melhor parte é aquela que se lê depois de ler... a que se lê com o coração - o órgão que é nutrido pelo Fogo - vou terminar por aqui, perguntando-te, perguntando-me?

- quantas vezes por dia tu alimentas esse ser louco que existe dentro de ti?

- quantas vezes transbordas de loucura, sabendo que essa loucura cura? cura o outro e cura-te a ti?

- quantas vezes tu - agora para citar Pessoa - "pões quanto és no mínimo que fazes"?... porque "para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui"

- quantas vezes preparas o melhor prato do mundo, quando estás sozinho(a):
Não para tirar uma foto para as redes sociais e dizerem-te o quão bom ou boa és a cozinhar e a fazeres pratos gourmet,
mas apenas porque tu és o ser mais importante do mundo, e por isso queres nutri-lo com tudo aquilo que a Vida te pode dar?
mesmo que não tenhas muito jeito para cozinhar, quantas vezes não páras tudo e dizes para ti próprio(a) que agora queres ser a loucura toda que existe dentro de ti e que o limite é o infinito?!

e que no final enquanto aprecias cada pedacinho do céu, não te contens de tanto prazer e de tanto amor, que em pouco tempo já perdeste a noção se estás a consumir um alimento ou a ter uma experiência extra-sensorial, que simplesmente extravasou a consciência do teu corpo e da tua mente?

O conselho que te dou enquanto ser humano que veio Cá para sentir o outro e curá-lo dentro dos conhecimentos que busco e das experiências vivo é:

Sê louco enquanto isso te nutre! Enquanto isso te dá vida!

Lea Caniço

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

workshop "Alimentação para o Outono" | Outubro 2016


A poda no Outono, a saúde do corpo e a cura da alma...

Esta época de Outono/Inverno traz-me sempre memórias de coisas muito importantes que aprendi na infância.
Desde pequena, sempre que chegava a época do frio, da queda das folhas... depois das vindimas, depois da colheita da azeitona, depois de colhermos os frutos das árvores, como os figos, os diospiros e tantos outros, o meu pai e o meu avô podavam as árvores e as plantas. Lembro-me de ter uma sensação estranha de ver esse processo, apesar de ser feito sempre com muito cuidado e delicadeza. E em poucos meses viam-se os resultados: chegava a Primavera e apareciam os rebentos que traziam mais saúde e mais energia vital, que transformava aqueles seres da natureza em algo ainda maior e mais belo. 
Como é possível, pensava eu, que depois de cortes, às vezes muito grandes ("às vezes tem de ser" dizia o meu pai), estas árvores e estas vinhas ficarem ainda maiores??

domingo, 2 de outubro de 2016

workshop "Nutrição para o Verão: mais saúde através dos alimentos" | julho 2016










 fotos por Sara Guedes

Sabe qual é o seu perfil bionutricional? Como determiná-lo?

Primeiro deve estar a perguntar-se o que é o Perfil Bionutricional. Vamos chamar-lhe Terreno.

Então o que é isso de Terreno Bionutricional? Porquê é importante conhecê-lo para o seu bem-estar?

O nosso organismo é constituído por cerca de 10.000 a 30.000 milhões de células que se juntam em unidades específicas nos órgãos e cujo funcionamento equilibrado e harmonioso depende de aportes adequados em micronutrientes indispensáveis (oligoelementos, vitaminas, ácidos gordos essenciais, aminoácidos…).