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A poda no Outono, a saúde do corpo e a cura da alma...

Esta época de Outono/Inverno traz-me sempre memórias de coisas muito importantes que aprendi na infância.
Desde pequena, sempre que chegava a época do frio, da queda das folhas... depois das vindimas, depois da colheita da azeitona, depois de colhermos os frutos das árvores, como os figos, os diospiros e tantos outros, o meu pai e o meu avô podavam as árvores e as plantas. Lembro-me de ter uma sensação estranha de ver esse processo, apesar de ser feito sempre com muito cuidado e delicadeza. E em poucos meses viam-se os resultados: chegava a Primavera e apareciam os rebentos que traziam mais saúde e mais energia vital, que transformava aqueles seres da natureza em algo ainda maior e mais belo. 
Como é possível, pensava eu, que depois de cortes, às vezes muito grandes ("às vezes tem de ser" dizia o meu pai), estas árvores e estas vinhas ficarem ainda maiores??
De muitas formas, nós aprendemos desde pequenos, que depois da tempestade vem a bonança, como nos ensina a sabedoria popular, ou depois da humilhação a exaltação, como se lê na Bíblia...

No entretanto, o cuidado com a terra é essencial e nunca deve ser esquecido; o equilíbrio entre água que cai da chuva ou aquela que precisa vir do poço, com a energia sol e do ar puro, são os 4 elementos que a natureza precisa para se manter em equilíbrio. E nós somos mais como a natureza. Também temos raízes que precisamos nutrir, ramos que têm de se podar, frutos que querem amadurecer. 

O corpo é o que temos de mais sagrado, ele é frágil mas não é fraco, ele é uma planta, é a nossa árvore. Às vezes, tem folhas, às vezes tem flores, às vezes tem frutos e às vezes não tem nada. Mas enquanto tem vida tem o mais importante: a seiva. É a seiva que dá a vida, a energia vital. A seiva bruta, que vem da terra, com uma força tão poderosa que é capaz de subir pelas raízes acima e pelos caules em direção às folhas e a seiva elaborada, que consegue através da fotossíntese nutrir cada célula de cada parte da planta. Essa seiva que dá o mel, o néctar, a doçura viva e nutritiva. É através desta energia e deste equilíbrio que o nosso corpo se mantém vivo, frágil, mas forte. Forte se lhe soubermos dar os nutrientes de que ele precisa. 

E pergunto: Saberemos dar-lhe todos os nutrientes que ele precisa? Saberemos ouvir o que ele tem para nos dizer? Dar-lhe-emos ouvidos quando ele fala connosco? Ou precisa gritar? Ou ficar doente, para então pararmos e finalmente lhe darmos a tão necessária e merecida atenção? 

Tu ouves o teu corpo? Tu falas com o teu corpo? Tu perguntas-lhe como ele se sente? O que ele precisa? Não o que ele deseja. O que ele precisa verdadeiramente? Tem fome? Tem sede? De quê? Tu nutre-lo?

Já te aconteceu teres uma planta em casa dentro de um vaso com terra, terra das boas, daquelas que vêm cheia de nutrientes orgânicos e que tu por saberes isso até de repente pensas que tens ali uma proteção, não vás te esquecer de a regar durante uns tempos... 

... e durante um período regas com toda a dedicação, sempre com o cuidado de não exagerar, porque tudo o que exagerado intoxica e apodrece, e em outro período esqueces-te simplesmente que essa planta existe? E quando dás conta, ela já morreu, de fome, de sede, de nutrientes... Se nunca te aconteceu ou é porque nunca tiveste uma planta em casa ou se não, dou-te os meus parabéns! A mim já aconteceu. E mais que uma vez! E é isso, que queria partilhar hoje, não te esqueças de regar e nutrir a tua planta, no tempo e na dose exata, a dose que ela precisa para se manter forte e bonita. Nem muito nem pouco. Porque já Paracelso nos ensinou que é a dose que faz o veneno. E também há alturas em que a poda é necessária. Só assim deixamos os que não nos serve mais para podermos florescer.


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